O que significa a regra de permanência de 24 meses (dois anos)?

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  • fevereiro 2, 2026

O que significa a regra de permanência de 24 meses (dois anos)?

Esse é um dos pontos mais críticos e menos intuitivos da escolha entre os modelos de apuração do Simples Nacional na Reforma Tributária.

Ao optar pelo modelo com débito e crédito, a empresa não entra apenas em uma forma diferente de cálculo. Ela assume um compromisso de permanência mínima nesse modelo.

Como funciona a regra de permanência

Na lógica que precisa ser claramente alertada, o funcionamento é o seguinte.

Se a empresa realiza uma compra e utiliza o crédito dessa operação, ela passa automaticamente a operar no regime de apuração por débito e crédito.

A partir desse momento, ela fica obrigada a permanecer nesse modelo por 24 meses, antes de poder retornar ao modelo simplificado, sem utilização de créditos.

Durante esse período, não é possível alternar livremente entre os modelos.

O risco prático dessa regra

Essa regra cria um risco operacional importante.

A empresa pode optar pelo modelo de débito e crédito sem realizar uma simulação adequada.

Depois de alguns meses, percebe que aquele cenário não era o mais vantajoso do ponto de vista financeiro.

Mesmo assim, ela permanece “presa” ao modelo por dois anos, sem possibilidade de retorno imediato ao regime simplificado.

Por que essa decisão exige cautela

Justamente por causa dessa trava temporal, a escolha não pode ser feita por impulso.

Não se trata apenas de testar um modelo novo.

Trata-se de assumir uma estrutura de apuração que acompanhará a empresa por 24 meses, independentemente de mudanças no mix, no mercado ou na estratégia.

Como uma farmácia deve tomar essa decisão de forma inteligente

A decisão correta segue uma lógica simples, mas exige método.

O primeiro passo é mapear o mix de compras.

Isso envolve identificar quais produtos são comprados, em que volume, de quais fornecedores e qual a carga de IBS e CBS embutida nessas compras.

O segundo passo é mapear o mix de vendas.

Aqui, a farmácia precisa entender quais produtos são mais vendidos, quais têm redução de alíquota (60% ou 100%), quais estão na regra geral e qual a margem por categoria.

O terceiro passo é mapear as despesas que podem gerar crédito.

Entram nessa análise itens como aluguel, energia elétrica, sistemas, serviços operacionais, logística e outros custos recorrentes da operação.

O quarto passo é simular dois cenários completos.

  • Cenário A: Simples tradicional, Modelo 1.
  • Cenário B: Débito e crédito, Modelo 2.

Depois de todas as simulações, a decisão correta surge de uma pergunta simples e objetiva.

Qual cenário deixa mais margem e mais caixa no fim do mês?

É essa resposta, baseada em números reais, que deve orientar a escolha, e não a promessa de economia aparente ou comparações genéricas com outras empresas.

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