Como a empresa deve se organizar para medicamentos em 2026 para “chegar pronta” em 2027?

  • 16 views
  • fevereiro 2, 2026

Como a empresa deve se organizar para medicamentos em 2026 para “chegar pronta” em 2027?

O ano de 2026 não é apenas um período de teste técnico.

Ele funciona, na prática, como o ano de organização estrutural para tudo o que passa a ter impacto financeiro real a partir de 2027.

No setor farmacêutico, isso significa usar 2026 para organizar portfólio, cadastro, sistemas e decisões de compliance.

1) Separar o portfólio por blocos

O primeiro passo é sair da visão produto a produto e passar para uma visão estruturada por blocos tributários.

No farma, um modelo prático de organização é separar o portfólio em:

  • Medicamentos com alíquota zero, nos termos do art. 146 da Lei Complementar nº 227/2026.
  • Medicamentos com redução de 60%, conforme art. 133 da Lei Complementar nº 214/2025.
  • Medicamentos enquadrados na regra geral.
  • Itens não medicamentos com benefícios específicos, como higiene, limpeza e outros regimes aplicáveis.
  • Demais itens sujeitos integralmente à regra geral.

Essa separação permite que cada grupo tenha lógica própria de cadastro, parametrização e conferência, evitando decisões genéricas que geram erro.

2) Padronizar cadastro e governança

Em 2026, cadastro deixa de ser tarefa operacional isolada e passa a ser tema de governança.

  • Cadastro correto e consistente de NCM e descrição, alinhados à base legal.
  • Definição clara de quem valida o enquadramento legal de cada produto.
  • Definição de quem mantém a trilha de auditoria da decisão.

Sem essa definição, a empresa fica vulnerável a decisões pulverizadas e inconsistentes.

3) Ajustar sistemas e processos

Organização não se sustenta sem sistema.

Em 2026, a empresa precisa garantir que ERP, PDV e emissão de XML estejam preparados para refletir corretamente as regras aplicáveis.

  • Ajustes de parametrização em ERP e PDV.
  • Testes de emissão e recepção de XML.
  • Testes práticos com fornecedores e clientes, validando a cadeia inteira.
  • Rotinas internas para corrigir inconsistências rapidamente.

O objetivo do ano-teste é provar que o sistema funciona de ponta a ponta.

4) Documentar o racional de compliance

Esse é um ponto frequentemente negligenciado, mas decisivo.

Em temas considerados cinzentos, como notificação simplificada, interpretações específicas de enquadramento ou itens híbridos, a decisão precisa estar documentada.

Isso inclui a base legal adotada, o racional da decisão e o motivo da postura escolhida.

Documentar não é burocracia: é proteção e consistência.

O papel estratégico de 2026

Usar 2026 apenas para passar ileso é perder oportunidade.

O uso correto do ano-teste permite que a empresa chegue em 2027 com portfólio organizado, cadastro governado, sistemas testados e decisões de compliance documentadas.

No setor farmacêutico, quem faz essa lição em 2026 entra em 2027 com vantagem competitiva real, não apenas com conformidade fiscal.

COMPARTILHE: WhatsApp Facebook LinkedIn