O que esse modelo mostra, na prática?

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  • fevereiro 2, 2026

O que esse modelo mostra, na prática?

Depois de percorrer os três cenários, é possível extrair alguns aprendizados muito claros sobre como funciona o novo modelo de cálculo do CBS e do IBS. A principal mudança não está apenas na técnica tributária, mas na forma como o imposto se comporta ao longo da cadeia.

O imposto fica mais visível

No modelo do IVA Dual, o imposto deixa de ficar “escondido” dentro do preço. O valor do tributo aparece de forma clara no final da operação, especialmente para o consumidor final, que passa a perceber quanto está pagando de imposto.

Isso aumenta a transparência do sistema e muda a forma como o preço é lido pelo mercado.

O crédito vira peça central

Outro ponto central do novo modelo é o papel do crédito tributário. O imposto pago na compra deixa de ser custo, na lógica geral, porque pode ser integralmente aproveitado como crédito ao longo da cadeia.

Cada empresa passa a recolher apenas o imposto correspondente ao valor que adicionou ao produto, o que reduz cumulatividade e distorções no cálculo.

As reduções mudam completamente o cenário no mercado farmacêutico

É no setor farmacêutico que a diferença entre as faixas de tributação fica mais evidente. A alíquota aplicada muda completamente o impacto no preço final e na dinâmica da cadeia.

De forma objetiva:

  • alíquota cheia de 28% gera impacto forte no preço final;
  • redução de 60% reduz significativamente o peso do imposto;
  • redução de 100% praticamente elimina o tributo ao longo da cadeia.

Essas diferenças mostram por que olhar apenas para a alíquota nominal do IVA não é suficiente.

O que realmente importa para o mercado farmacêutico

Para o setor farmacêutico, o ponto central não é discutir se o IVA será de 26%, 27% ou 28%. O que realmente importa é em qual faixa cada produto vai se enquadrar.

É isso que vai definir:

  • o preço final ao consumidor;
  • o aproveitamento de créditos;
  • o impacto no estoque durante a transição;
  • a política comercial;
  • a margem e o fluxo de caixa.

A Reforma Tributária, portanto, exige uma mudança de mentalidade. Sai o debate genérico sobre alíquota e entra a análise prática por produto, por portfólio e por operação.

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