Previsão de Aumento dos Medicamentos em 2026: SimTax projeta dois cenários, com reajuste de até 3,66%
A previsão inicial para o reajuste dos medicamentos em 2026 aponta para um aumento estimado de 3,66%, com base na inflação medida pelo IPCA. No entanto, para que essa estimativa seja corretamente interpretada pelo mercado, é fundamental entender que o reajuste dos medicamentos não depende apenas da inflação.
Além do IPCA, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) utiliza outros fatores econômicos e regulatórios que podem alterar o percentual final autorizado. Por esse motivo, a SimTax trabalha com dois cenários distintos de reajuste para 2026:
- Cenário 1: Reajuste geral e linear
- Cenário 2: Reajuste diferenciado por nível (1, 2 e 3)
Esses dois cenários permitem que indústrias, distribuidores e farmácias tenham uma visão mais realista para planejamento comercial, gestão de estoques e tomada de decisão.

O ponto de partida: IPCA e a estimativa de 3,66%
O principal componente do reajuste anual dos medicamentos é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que representa a inflação oficial do país.
Com base nos dados disponíveis até o momento — e ainda aguardando a divulgação oficial do IPCA de fevereiro — a estimativa utilizada pela SimTax é de 3,66%, valor que serve como referência inicial para os cálculos.

Outros fatores que influenciam o reajuste além do IPCA
Para tornar o reajuste mais preciso e evitar repasses automáticos da inflação, a CMED aplica fatores adicionais à fórmula de cálculo:
Variação Percentual do Preço do Medicamento (VPP) = IPCA – Fator X + Fator Y + Fator Z
Os principais fatores são:
- Fator Y (câmbio e energia elétrica): mede custos não totalmente capturados pelo IPCA
- Fator X (produtividade): representa ganhos de eficiência do setor farmacêutico
- Fator Z: está relacionado ao grau de concorrência do medicamento no mercado

Cenário 1 – Reajuste geral e linear (mais conservador)
No primeiro cenário considerado pela SimTax, partimos das seguintes premissas:
– IPCA estimado: 3,66%
– Fator Y = 0%, considerando que:
- Não houve uma alta relevante do dólar nos últimos 12 meses
- Não houve pressão significativa de energia elétrica no período
– Fator X = 0%, assumindo que:
- Não foram observados ganhos expressivos e generalizados de produtividade no setor no último ano
Com essas premissas, o reajuste autorizado seria linear para todos os medicamentos, resultando em:
Aumento estimado de 3,66% em 2026
Esse cenário representa um dos menores reajustes da história recente, especialmente relevante para decisões de estoque e negociação comercial.
Cenário 2 – Reajuste por nível, considerando ganho de produtividade
O segundo cenário considera uma possibilidade adicional: alguns produtos tiveram desempenho excepcional de vendas nos últimos 12 meses, movimentando o mercado e podendo levar a CMED a reconhecer ganhos de produtividade no setor como um todo.
Para efeito de simulação, a SimTax considera:
- Fator X hipotético: 2%
Nesse caso, o reajuste deixa de ser linear e passa a ser diferenciado por nível de concorrência, conforme a metodologia da CMED.
Como ficam os reajustes nesse cenário?
- Nível 1 (alta concorrência): 3,66%
- Nível 2 (concorrência média): 2,66%
- Nível 3 (baixa ou nenhuma concorrência): 1,66%
Entendendo os níveis de reajuste
A classificação por níveis existe para adequar os preços à facilidade de substituição do medicamento pelo consumidor:
- Nível 1 – Alta concorrência
Medicamentos com forte presença de genéricos e similares, geralmente de uso comum, como anti-inflamatórios e antibióticos.
- Nível 2 – Concorrência média
Medicamentos em que os genéricos representam entre 15% e 20% do faturamento do mercado, como alguns antidiabéticos e hormônios.
- Nível 3 – Baixa ou nenhuma concorrência
Medicamentos de maior complexidade e baixa substituição, como tratamentos oncológicos, antivirais de HIV, insulinas e algumas vacinas.
Nesse cenário, o reajuste médio do mercado seria ainda menor, reforçando 2026 como um dos anos de menor aumento de preços da história dos medicamentos regulados.
O que essa estimativa significa para o mercado?
É importante reforçar que:
- Trata-se de uma estimativa técnica, não oficial
- A CMED deve divulgar o reajuste definitivo até 31 de março
- O percentual autorizado é um teto máximo, não um aumento obrigatório
- A simulação já permite planejamento antecipado, mesmo com possíveis ajustes futuros
Apesar de ser um aumento baixo, ele já oferece uma base concreta para tomada de decisão, especialmente em relação a:
- Planejamento de estoques
- Estratégia comercial
- Negociação entre indústria, distribuidores e varejo
Importante: por que o aumento efetivo pode ser maior que a estimativa regulatória
Embora a estimativa de reajuste para 2026 indique percentuais baixos — entre 1,66% e 3,66%, a depender do cenário — é fundamental destacar que esse aumento é aplicado sobre os preços regulatórios da CMED, e não necessariamente sobre o preço efetivamente praticado no mercado.
Hoje, o mercado farmacêutico utiliza como referência comercial revistas de alta circulação, como ABC Farma e Guia da Farmácia, que concentram a publicação de preços utilizada por indústrias, distribuidores e farmácias.
Atualmente, essas revistas reúnem mais de 17 mil medicamentos publicados, e dentro desse universo, mais de 5.900 medicamentos estão com preços abaixo do teto autorizado pela CMED.
Na prática, isso significa que:
- A CMED define sempre o preço máximo permitido;
- O preço de mercado, muitas vezes, está abaixo desse teto;
- Quando isso ocorre, existe espaço regulatório para que a indústria promova aumentos efetivos maiores do que a média estimada, desde que não ultrapasse o preço CMED.
Ou seja, mesmo em um cenário de reajuste regulatório baixo, alguns medicamentos podem apresentar aumentos percentuais mais elevados, simplesmente porque partem de uma base de preço inferior à autorizada.
Diferença entre medicamentos controlados e liberados
Outro ponto relevante está relacionado à classificação dos medicamentos dentro da base da CMED.
Existem dois grandes grupos:
- Medicamentos controlados:
Seguem rigorosamente o rito regulatório da CMED, com reajustes vinculados ao percentual anual autorizado.
- Medicamentos liberados:
Possuem maior flexibilidade comercial, podendo aumentar ou reduzir preços mensalmente, conforme estratégia da indústria, desde que respeitado o teto regulatório.
Nesses casos, é possível que alguns medicamentos apresentem variações de preço superiores à média do mercado, inclusive acima do percentual estimado, mesmo dentro dos limites regulatórios.
O que isso significa para o planejamento do mercado
Diante desse cenário, a estimativa apresentada pela SimTax deve ser entendida como:
- Um referencial regulatório
- Uma base para planejamento estratégico
- Mas não como uma regra fixa para todos os produtos
Por isso, é fundamental que distribuidores, redes e farmácias mantenham um acompanhamento contínuo e, principalmente, alinhem diretamente com as indústrias as estratégias de preço, reajuste e posicionamento para 2026.
A leitura correta do reajuste regulatório, combinada com a dinâmica real de mercado, é o que permitirá decisões mais precisas de estoque, negociação e margem ao longo do próximo ciclo.
Conclusão
A projeção da SimTax para 2026 indica um cenário de baixa pressão inflacionária sobre os medicamentos, com dois caminhos possíveis:
- Reajuste geral de 3,66%
- Reajuste por nível, com aumentos entre 1,66% e 3,66%
Em ambos os casos, trata-se de um aumento historicamente baixo, que reforça a importância de planejamento, eficiência comercial e gestão estratégica em toda a cadeia farmacêutica.
A recomendação é acompanhar atentamente a divulgação oficial dos fatores pela CMED, mas já utilizar essa estimativa como ferramenta de apoio para decisões de 2026.
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