Fixação das alíquotas do IBS: como será a transição até 2035

A Reforma Tributária criou o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) como os novos tributos sobre o consumo no Brasil. Para evitar rupturas e choques de carga tributária, a Lei Complementar nº 214/2025 estabeleceu um período de transição entre 2029 e 2035, com regras específicas de fixação das alíquotas do IBS.

Neste artigo, vamos explicar, de forma simples, como essa transição foi estruturada e por que as empresas precisam acompanhar de perto a evolução das alíquotas.

Como funciona a fixação das alíquotas do IBS na transição?

A fixação das alíquotas do IBS durante o período de transição não acontece de forma isolada. Ela está diretamente ligada à redução gradual das alíquotas de ICMS e ISS, à diminuição dos benefícios fiscais ligados aos tributos atuais e à definição das alíquotas de referência do IBS ao longo dos anos.

À medida que ICMS e ISS perdem espaço, o IBS ganha protagonismo, seguindo um cronograma previamente definido em lei.

O que diz o art. 342 sobre a fixação das alíquotas do IBS?

O art. 342 indica quais dispositivos da lei orientam a fixação das alíquotas do IBS entre 2029 e 2035. Ele funciona como um mapa da transição.

Art. 501 — Redução das alíquotas do ICMS

O art. 501 trata da redução das alíquotas do ICMS e da diminuição gradual dos benefícios fiscais estaduais entre 2029 e 2032, abrindo espaço para a maior participação do IBS.

Art. 508 — Redução das alíquotas do ISS

O art. 508 estabelece processo semelhante para o ISS, com redução de alíquotas e revisão de benefícios municipais no mesmo período.

Arts. 361 a 365 — Alíquotas de referência do IBS

Os arts. 361 a 365 tratam diretamente da fixação das alíquotas do IBS nos primeiros anos da transição, definindo alíquotas de referência que são ajustadas ao longo do tempo para preservar a arrecadação e garantir neutralidade.

Arts. 366 e 369 — IBS em 2034 e 2035

Os arts. 366 e 369 complementam esse desenho, estabelecendo parâmetros para as alíquotas de referência do IBS nos anos finais da transição, quando o novo modelo estará praticamente consolidado.

Resumo simples para quem não é da área tributária

De forma resumida, durante a transição:

  • ICMS e ISS não são extintos de uma vez, mas têm suas alíquotas reduzidas gradualmente;
  • ao mesmo tempo, o IBS tem suas alíquotas de referência elevadas de forma planejada;
  • a fixação das alíquotas do IBS busca evitar aumentos súbitos de carga tributária ou perda drástica de arrecadação;
  • tudo segue um cronograma definido na própria lei.

Pontos de atenção para as empresas durante a transição

A fase de transição exige atenção redobrada das empresas, principalmente em relação a:

  • planejamento financeiro, com projeções anuais da carga tributária;
  • formação de preços, considerando a evolução das alíquotas;
  • parametrização dos sistemas e ERPs, incluindo IBS, ICMS, ISS e CBS;
  • monitoramento da redução e extinção de benefícios fiscais estaduais e municipais;
  • simulações tributárias para entender o impacto da fixação das alíquotas do IBS.

Empresas do setor farmacêutico, hospitalar e distribuidor podem se apoiar em conteúdos especializados, como o guia da Reforma Tributária no setor farmacêutico e o curso gratuito sobre a Reforma Tributária no setor farma, para aprofundar o entendimento dessa transição.

Impactos da fixação das alíquotas do IBS no setor farma e hospitalar

No setor farmacêutico e hospitalar, a fixação das alíquotas do IBS afeta diretamente a precificação de medicamentos, materiais e serviços, as negociações com distribuidores e redes de farmácias, o aproveitamento de créditos e a análise de viabilidade de benefícios fiscais que serão reduzidos ou extintos ao longo dos anos.

Conclusão

A fixação das alíquotas do IBS entre 2029 e 2035 é uma peça central da Reforma Tributária. Em vez de uma mudança abrupta, a lei estabeleceu um caminho gradual, combinando a redução de ICMS e ISS com a elevação planejada das alíquotas de referência do IBS.

Para empresas que atuam em setores sensíveis, como o mercado farmacêutico e hospitalar, transformar esse cronograma em números, simulações e estratégias é essencial para atravessar a transição com segurança.

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