Como recuperar o ICMS-ST do estoque em SP para Dermocosméticos com a CAT-28/2020
Se você tem estoque de produtos de higiene pessoal, perfumaria ou dermocosméticos em São Paulo e essa mercadoria foi comprada até 31/03/2026, é bem provável que você esteja se perguntando:
“Vou pagar imposto duas vezes quando eu vender esse estoque em abril?”
Se nada for feito, em muitos casos, sim.
Por quê?
Porque o seu estoque antigo chegou com ICMS-ST embutido no custo, pago antecipadamente na origem. Só que, a partir de 01/04/2026, esses mesmos itens passam para o regime normal, débito e crédito, ou seja: quando você vender, vai aparecer débito de ICMS na venda.
A boa notícia: existe um procedimento oficial para evitar essa “mordida dupla”.
Esse procedimento é a Portaria CAT-28/2020.
Este artigo é um passo a passo do que realmente importa para executar a recuperação com segurança.
1) O que é a CAT-28/2020
A CAT-28/2020 é a regra do Estado de São Paulo que diz como tratar o estoque quando um produto entra ou sai da Substituição Tributária.
Pense nela como um “manual do Estado” dizendo: “Se você tinha mercadoria com ST no custo e agora ela sai da ST, você pode recuperar o imposto do estoque, mas tem que provar e escriturar do jeito certo.”
Link oficial (SEFAZ-SP): https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/Portaria-CAT-28-de-2020.aspx
2) Quem tem direito a recuperar?
Na prática, tem direito quem:
Tinha mercadoria em estoque sujeita à ST até 31/03/2026
Vai vender essa mercadoria a partir de 01/04/2026 no regime normal, débito e crédito
Consegue comprovar a formação do estoque com documentos fiscais de entrada, NF-e/XML
Isso vale para distribuidores, atacadistas, redes e farmácias, e também indústrias, quando aplicável, desde que tenham estoque dos itens afetados.
3) Qual é a data do estoque? (o “marco zero”)
Para essa mudança que começa em 01/04/2026, a CAT-28 olha para o estoque do dia imediatamente anterior.
Data do estoque (inventário): 31/03/2026
Tudo começa por aqui.
Se esse inventário estiver inconsistente, o restante fica frágil, e é aí que nas auditorias o problema aparece.
4) O que você precisa separar antes de começar (checklist)
Antes de tentar calcular qualquer coisa, organize estes 4 blocos. Isso evita 80% do retrabalho:
Inventário físico de 31/03/2026
- Quantidade por SKU
- Unidade
- Identificação interna do produto
Cadastro fiscal do produto
- NCM
- CEST
- Unidade correta
- Descrição e vínculo do SKU, sem duplicidade ou confusão de itens
Documentos de entrada, o mais importante
- XMLs e NF-e de compra, principalmente as mais recentes
- Organização por SKU, idealmente em ordem cronológica
Preparação da EFD
- Inventário: Bloco H
- Crédito: Bloco E, ajuste de crédito conforme CAT-28
Regra de ouro: a SEFAZ audita rastreabilidade. Se faltar vínculo “produto, nota, quantidade”, o risco aumenta.
5) O coração da CAT-28: “notas mais recentes”, sem média
Esse é o ponto que mais confunde.
A CAT-28 não aceita média de custo, média histórica ou cálculo por aproximação.
Ela exige que você monte o estoque usando as entradas mais recentes, até fechar a quantidade do inventário.
Como funciona na prática
Você pega o estoque final de 31/03/2026 e vai voltando nas notas:
- Começa pela NF mais recente
- Usa ela para compor o estoque
- Se ainda faltar quantidade, usa a penúltima
- E assim por diante, até fechar o estoque
Exemplo simples, farmácia, rede ou distribuidor
Estoque em 31/03/2026: 100 unidades do SKU X
- NF mais recente: 60 unidades
- NF anterior: 70 unidades
Montagem correta do estoque:
- Usa 100% da NF mais recente, 60
- Usa só 40 da NF anterior para completar 100
- As 30 unidades restantes dessa NF não entram no cálculo, porque não estão no estoque de 31/03
E aqui vem a exigência mais crítica: proporcionalidade.
Se você usou 40 de 70, você usa 40/70 do valor ou base daquela nota, não o valor inteiro.
6) Como calcular o crédito (visão objetiva)
Depois de montar o estoque com as notas mais recentes, e proporcional quando necessário, você apura o crédito a recuperar.
No cenário mais comum, saída da ST e entrada no regime normal, a lógica resumida é:
Crédito a recuperar = Base de ST vinculada ao estoque × Alíquota interna de SP
O mais importante não é a fórmula em si, é garantir que:
- A base está vinculada nota a nota
- E está proporcional quando você usou apenas parte de uma NF
7) Como “transformar cálculo em dinheiro”: EFD (Bloco H + Bloco E)
Muita empresa calcula certo e perde o efeito prático por escriturar errado.
Inventário, Bloco H
Você declara o estoque de 31/03/2026 com o motivo correto, mudança de tributação, e detalha por item.
Crédito, Bloco E
Você lança o crédito por meio do ajuste previsto na portaria, respeitando o parcelamento.
Sem Bloco H bem feito e Bloco E bem feito, o crédito não vira recuperação real.
8) Por que o caixa sente primeiro? (as 24 parcelas)
Mesmo quando o crédito está correto, ele entra em 24 parcelas mensais.
Ou seja:
- O impacto aparece agora, quando você vende o estoque em abril e surge o débito
- E a recuperação vem aos poucos, em 24 meses
Por isso, esse tema não é só fiscal, ele precisa conversar com:
- pricing
- comercial
- compras e abastecimento
- financeiro e caixa
9) Erros mais comuns que geram risco (e dor de cabeça)
Se você quer fazer com segurança, evite estes erros clássicos:
- Inventário inconsistente, quantidade não bate com controle físico ou sistema
- Cadastro fiscal errado, NCM, CEST ou unidade
- Usar média histórica em vez de notas mais recentes
- Proporcionalidade errada quando usa parte da NF
- Escriturar só o inventário ou só o crédito, um sem o outro
- Falta de rastreabilidade, produto a produto, nota a nota
Conclusão
A recuperação do ICMS-ST do estoque via CAT-28/2020 é o caminho oficial para evitar bitributação na transição de 2026 em São Paulo.
O que faz diferença de verdade é executar com método:
- inventário certo na data certa, 31/03/2026
- estoque montado por notas mais recentes
- cálculo proporcional fechado e auditável
- escrituração correta na EFD, Bloco H e Bloco E
- e visão de impacto no caixa por causa das 24 parcelas
A SimTax acompanha esse tipo de transição diariamente, conectando fiscal e comercial com simulações por SKU, planejamento de estoque e execução segura do procedimento.
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