Princípio da neutralidade: entenda seu papel no IBS e na CBS

O princípio da neutralidade é um dos fundamentos da Reforma Tributária e aparece no Art. 2º da Lei Complementar nº 214/2025. Ele determina que o IBS e a CBS devem arrecadar sem interferir nas decisões de consumo, produção ou organização das empresas. O objetivo é reduzir distorções e criar um ambiente econômico mais eficiente e previsível.

O que diz a Lei Complementar nº 214/2025

“Art. 2º O IBS e a CBS são informados pelo princípio da neutralidade, segundo o qual esses tributos devem evitar distorcer as decisões de consumo e de organização da atividade econômica, observadas as exceções previstas na Constituição Federal e nesta Lei Complementar.”

A norma estabelece que os tributos devem ser neutros, criando uma lógica de cobrança mais moderna e alinhada a modelos internacionais.

O que é o princípio da neutralidade

O princípio da neutralidade determina que o sistema tributário não deve influenciar as escolhas econômicas. Impostos não devem definir onde a empresa vai produzir, qual estrutura adotar ou o que o consumidor vai comprar. A função do tributo é arrecadar, não distorcer o mercado.

Esse princípio busca criar preços mais transparentes, regras previsíveis e um ambiente competitivo mais equilibrado, estimulando decisões baseadas em eficiência real.

Como o princípio se aplica ao IBS e à CBS

O IBS (estadual/municipal) e a CBS (federal) foram desenhados para serem neutros. Isso se reflete em características técnicas essenciais:

  • Não cumulatividade plena, eliminando o efeito cascata.
  • Crédito amplo, permitindo recuperação total do imposto pago.
  • Base ampla, alinhando bens e serviços.
  • Fim da guerra fiscal, reduzindo distorções entre estados.

Com isso, o imposto passa a incidir apenas sobre o valor agregado, evitando impactos artificiais nos preços e facilitando a tomada de decisões.

Exemplo prático no setor farmacêutico

No sistema atual, o setor farmacêutico sofre forte influência de benefícios fiscais. Muitas indústrias escolhem estados com incentivos para reduzir carga tributária, mesmo que isso não represente eficiência real. Com a implementação do IBS e da CBS, a dinâmica muda significativamente.

  • A decisão de localização deixa de depender da carga tributária.
  • A formação de preços passa a ser mais previsível.
  • As diferenças regionais perdem impacto tributário.
  • O crédito se torna total e aplicável a toda a cadeia.

Esse novo cenário reduz distorções competitivas e fortalece empresas mais eficientes.

Exemplo simplificado

Situação Sistema atual Com IBS e CBS (neutros)
Localização da indústria Baseada em incentivos fiscais Baseada em eficiência e logística
Estratégia de compras Busca por menor ICMS Busca por melhor preço real
Estrutura empresarial Modelos complexos para pagar menos imposto Modelos eficientes e diretos

Exceções à neutralidade

A neutralidade é a regra, mas existem exceções legítimas previstas na Constituição Federal e na Lei Complementar. Elas têm objetivos sociais, econômicos e de saúde pública, como:

  • Cesta básica nacional.
  • Medicamentos e dispositivos médicos com redução de 60%.
  • Educação e transporte público.
  • Produtos nocivos, sujeitos ao Imposto Seletivo.

Resumo didático

Conceito Antes da Reforma Com IBS e CBS
Influência do imposto Alta Baixa
Impacto no preço Com efeito cascata Apenas sobre valor agregado
Crédito Limitado Total e automático
Guerra fiscal Intensa Reduzida
Competição Desigual Mais justa

Conclusão

O princípio da neutralidade é um dos alicerces do novo sistema tributário. Ele garante que o IBS e a CBS arrecadem sem distorcer as decisões de mercado. Para o setor farmacêutico, isso significa menos distorções regionais, mais transparência e um ambiente mais competitivo e previsível.

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